O pequeno-almoço italiano distingue-se fundamentalmente do que é habitual na Alemanha. Quem toma o pequeno-almoço pela primeira vez num bar italiano ou em casa de amigos italianos fica, na maioria das vezes, surpreendido. Sem pãezinhos, sem queijo, sem enchidos e sem cereais substanciais. Em vez disso, algo doce, um café e, no essencial, é tudo. Para compreender o pequeno-almoço italiano, é preciso abandonar um pressuposto: o de que um bom pequeno-almoço tem de ser farto.
Para os italianos, a colazione é uma refeição rápida, compacta e marcadamente doce. Segue um ritmo bem diferente do pequeno-almoço na Europa Central e está intimamente ligada à cultura do bar, que descrevemos em detalhe no nosso artigo sobre o bar italiano . O que aparece exatamente na mesa do pequeno-almoço italiano depende da região, da hora do dia e, sobretudo, de se tomar o pequeno-almoço em casa ou no bar.
Dois mundos: em casa e no bar
Os italianos distinguem entre colazione italiana e colazione all'italiana. A colazione italiana é o pequeno-almoço que a maioria dos italianos toma de facto em casa. É composta por caffè ou cappuccino, acompanhados de fette biscottate (fatias de pão torrado semelhantes a tostas) com manteiga e compota, biscotti (bolachas secas), cornetti da pastelaria ou simplesmente um iogurte com um pouco de cereais. Tem de ser doce; mais do que isso não é necessário.
A colazione all'italiana é o pequeno-almoço no bar, ou seja, a imagem conhecida pelos turistas: cappuccino e cornetto tomados de pé ao balcão. Não é o pequeno-almoço diário de todos os italianos, mas sim um ritual a caminho do trabalho ou como pausa rápida durante a manhã. Muitos italianos combinam os dois: um pequeno-almoço ligeiro em casa, seguido de uma breve paragem no bar durante a manhã.
Cornetto, o clássico do pequeno-almoço italiano
Quando se fala de pequeno-almoço italiano, pensa-se logo no Cornetto. Em forma de meia-lua, dourado, doce. Embora se assemelhe ao croissant francês, trata-se de um pastel diferente, com história própria. Enquanto o croissant é feito quase exclusivamente de farinha, água, fermento e muita manteiga, a massa do cornetto italiano leva ovos, açúcar e, muitas vezes, raspa de citrinos ou baunilha. Isso torna-o mais macio, mais doce e com uma textura mais próxima do brioche do que o original francês.
A história do cornetto remonta ao ano de 1683, quando o kipferl austríaco chegou a Itália através de Veneza. Os padeiros italianos adotaram a forma, mas tornaram a massa mais doce e mais rica. O cornetto tem três variantes clássicas: vuoto (simples), crema (com creme de baunilha) ou marmellata (com compota). Consoante a pastelaria, juntam-se creme de chocolate, creme de pistachio e especialidades regionais. Em Nápoles, por exemplo, existe a Polacca aversana, um cornetto com creme de pasteleiro e cereja Amarena.
Cappuccino, mas só de manhã
O cappuccinoé uma parte indissociável do pequeno-almoço italiano. Esta combinação de espresso e leite cremoso vaporizado é a bebida icónica da manhã italiana. Importante saber: os italianos bebem cappuccino exclusivamente durante a manhã, regra geral antes das 11 horas. Quem pede um cappuccino depois do almoço ou à tarde revela-se imediatamente turista. A razão reside na lógica digestiva italiana: o leite após a refeição é considerado pesado e difícil de digerir.
Quem não aprecia cappuccino tem alternativas. O caffè latte é uma chávena maior com mais leite; o latte macchiato quente bebida láctea com um toque de café. As crianças recebem muitas vezes chocolate quente ou leite com cereais. Também o caffè marocchino, um pequeno café em camadas feito de cacau, espresso e espuma de leite, é uma variante apreciada ao pequeno-almoço.

O que os italianos não comem ao pequeno-almoço
Tão importante como saber o que está na mesa do pequeno-almoço italiano é saber o que não está. O salgado é, de manhã, largamente tabu. Queijo, enchidos, fiambre ou ovos não fazem parte do pequeno-almoço em Itália, surgindo apenas a partir do aperitivo ou do almoço. O mesmo se aplica a muitas especialidades do sul de Itália, como o prosciutto ou a mortadella: de manhã, raramente se veem num prato italiano.
Quem visita um hotel italiano sendo alemão verá as coisas de forma diferente. Os hotéis oferecem quase sempre um buffet de pequeno-almoço internacional, com queijos, enchidos, ovos mexidos, pão integral e muesli. Faz parte da oferta padrão para hóspedes estrangeiros. No entanto, se observarmos os hóspedes italianos, o quadro torna-se claro: escolhem quase sempre o cappuccino e o cornetto, enquanto os hóspedes alemães e britânicos se dirigem à mesa do buffet com a oferta abundante. O pequeno-almoço italiano é, portanto, menos uma questão de oferta do que de hábito.
Diferenças regionais no pequeno-almoço italiano
Como em tudo em Itália, também no pequeno-almoço existem diferençasregionais. No norte de Itália fala-se frequentemente de brioche em vez de cornetto. O que no sul é um cornetto, chama-se em Milão, Turim ou Veneza habitualmente brioche, mesmo que a verdadeira brioche francesa seja algo diferente. Esta particularidade linguística confunde muitas vezes os turistas.
No sul de Itália, o pequeno-almoço tende a ser mais demorado e mais convivial. As famílias encontram-se de manhã no bar, as conversas prolongam-se. No norte de Itália é mais rápido e resume-se muitas vezes ao café expresso antes do trabalho. A Sicília tem os seus próprios clássicos do pequeno-almoço: a Brioche col Tuppo, um pão-de-leite redondo com uma pequena cúpula no topo, é tradicionalmente combinada com Granita, uma sobremesa gelada de amêndoa, café ou limão, parcialmente congelada. Quem já viveu uma manhã de verão em Catânia ou Palermo percebe por que razão esta combinação tem ali um estatuto de culto.
De pé ao balcão ou sentado à mesa
Outro aspeto do pequeno-almoço italiano é a questãode onde se toma. A maioria dos italianos bebe o café e come o cornetto de pé ao balcão, al banco. É rápido, custa pouco (muitas vezes apenas cerca de 1,50 euros pela combinação) e faz parte da rotina diária. Quem se senta à mesa, al tavolo, paga consideravelmente mais pelo mesmo café, por vezes o triplo ou o quádruplo.
Os turistas subestimam frequentemente esta diferença de preços. Em bares italianos clássicos, como o histórico Gran Caffè Gambrinus em Nápoles, um cappuccino à mesa pode custar facilmente cinco a seis euros, enquanto ao balcão fica pelos 1,50 euros. Para uma pausa rápida, o balcão é a melhor opção; para uma estadia mais prolongada, vale a pena conhecer os preços das mesas.
Por que razão o pequeno-almoço italiano funciona assim
O pequeno-almoço italiano é, à primeira vista, espartano, mas tem a sua própria lógica. Os italianos fazem durante o dia três refeições fixas com horários bem definidos. O almoço à uma da tarde e o jantar às oito ou nove da noite são as refeições principais do dia. Quem come abundantemente de manhã já não tem fome à uma da tarde. O cornetto doce e o café forte fornecem energia para a manhã sem sobrecarregar o estômago.
A isto acresce o significado cultural da visita ao bar. A breve pausa ao balcão é mais do que um simples pequeno-almoço. É um ato social, uma curta conversa com o barista, um encontro com vizinhos ou colegas. O pequeno-almoço italiano é, portanto, menos uma refeição do que um ritualque abre o dia de forma tranquila e ao mesmo tempo convivial.
Quem quiser experimentar
Quem quiser recriar o pequeno-almoço italiano em casa não precisa de muito. Cornetti de uma padaria italiana ou de uma boa pasticceria, uma máquina de espresso ou uma moka, e leite para vaporizar. O que importa é a ordem e o ritmo: primeiro preparar o caffè, depois aquecer o cornetto, saborear ambos de pé e pronto em cinco minutos. Assim se tem uma primeira ideia de como começa uma manhã italiana. E talvez se perceba, nesse momento, que menos é muitas vezes mais.


